A Luta Contínua Contra o Colesterol Elevado
A gestão do colesterol LDL elevado, comummente conhecido como colesterol ‘mau’, é um desafio persistente para doentes com risco de doença cardiovascular aterosclerótica (ASCVD). Manter os níveis sob controlo é fundamental para prevenir eventos cardíacos graves, mas nem sempre é fácil alcançar as metas terapêuticas recomendadas. No entanto, um novo e promissor ensaio clínico acaba de revelar uma solução potencialmente mais simples e poderosa. Este artigo irá analisar as descobertas mais importantes do ensaio “TANDEM”, que avaliou uma nova terapia de combinação num único comprimido.
As 4 Descobertas Mais Importantes do Estudo TANDEM
O ensaio clínico TANDEM trouxe à luz resultados significativos sobre a eficácia e segurança de uma nova combinação de fármacos. Apresentamos de seguida as quatro principais conclusões.
Descoberta 1: Uma Redução de Colesterol LDL Impressionante de Quase 50%
A principal descoberta do estudo foi a notável eficácia da combinação de dose fixa (FDC) de obicetrapib e ezetimibe. Ao longo de 84 dias, os doentes que tomaram este comprimido único viram os seus níveis de colesterol LDL diminuir em -48,6% em comparação com o grupo que recebeu um placebo.
Esta redução substancial é particularmente importante para doentes que, apesar das terapias atuais, continuam a lutar para atingir os seus objetivos de colesterol, oferecendo uma nova e potente ferramenta para a gestão do seu risco cardiovascular.
Descoberta 2: A Combinação é Significativamente Mais Forte do que os Fármacos Isolados
O estudo demonstrou um forte efeito de sinergia terapêutica. Isto significa que o efeito combinado dos dois fármacos foi superior ao que cada um poderia alcançar isoladamente. Em termos concretos, a pílula de combinação alcançou uma redução do colesterol LDL -27,9% superior à do ezetimibe isolado e -16,8% superior à do obicetrapib isolado.
Este resultado indica que o obicetrapib e o ezetimibe trabalham em conjunto para produzir um efeito de redução do colesterol mais poderoso do que qualquer um deles conseguiria individualmente.
Descoberta 3: O Obicetrapib Demonstra a Sua Eficácia Mesmo Sozinho
Mesmo quando administrado como monoterapia, o obicetrapib provou ser um agente redutor de lípidos eficaz. Os doentes que tomaram apenas obicetrapib registaram uma redução significativa de 31,9% no colesterol LDL em comparação com o placebo.
Esta descoberta é crucial porque valida o obicetrapib como um novo e potente fármaco no arsenal terapêutico contra o colesterol elevado, independentemente da sua utilização em combinação.
Descoberta 4: Um Perfil de Segurança Promissor e a Conveniência de um Comprimido Único
A segurança é um fator crítico para qualquer nova terapia. O estudo TANDEM revelou que as taxas de eventos adversos no grupo da terapia de combinação (51%) foram semelhantes às dos grupos que tomaram apenas obicetrapib (54%) ou apenas ezetimibe (53%). No entanto, é importante notar que todas estas taxas foram superiores à do grupo placebo, que registou a taxa mais baixa de eventos adversos (37%). A taxa de eventos adversos graves foi baixa e, em geral, semelhante em todos os grupos, incluindo o do placebo.
Além do perfil de segurança, a conveniência de um tratamento oral em comprimido único representa um benefício prático significativo para os doentes. Conforme destacado na interpretação do estudo:
“Esta terapia oral, em comprimido único, poderá melhorar a gestão do colesterol LDL em doentes com ASCVD pré-existente ou de alto risco.”
Um Novo Horizonte para o Controlo do Colesterol?
O ensaio TANDEM demonstra que a combinação de obicetrapib e ezetimibe é uma terapia oral altamente eficaz e conveniente para reduzir drasticamente o colesterol LDL. Com a sua capacidade de diminuir os níveis de LDL em quase 50% e a simplicidade de um único comprimido diário, esta nova abordagem representa um avanço promissor na cardiologia preventiva. A grande questão que permanece é se esta abordagem de comprimido único poderá, de facto, simplificar e revolucionar a forma como milhões de pessoas gerem o seu risco cardiovascular no futuro.
Fonte: https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(25)00721-4/abstract